Manter o tecido muscular é fundamental para a independência do idoso - Saúde Bem Explicada

Saúde Bem Explicada28 de setembro de 20174min561
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Pesquisas do IBGE apontam um aumento de 4,5% na população acima de 60 anos, em 10 anos. Enquanto em 2005 registrava 9,8%, em 2015 alcançou a marca de 14,3%. A previsão é que, se tivermos como base 2010, com 19,6 milhões de idosos (o equivalente a 10% da população brasileira), em 2050 chegaremos ao triplo de pessoas acima de 60 anos, o que significa 66,5 milhões de pessoas ou 29,3% da população.

Pesquisas do IBGE apontam um aumento de 4,5% na população acima de 60 anos, em 10 anos. Enquanto em 2005 registrava 9,8%, em 2015 alcançou a marca de 14,3%. A previsão é que, se tivermos como base 2010, com 19,6 milhões de idosos (o equivalente a 10% da população brasileira), em 2050 chegaremos ao triplo de pessoas acima de 60 anos, o que significa 66,5 milhões de pessoas ou 29,3% da população. Entretanto, pouca atenção se dedica à prevenção de uma das principais causas de perda funcional e da independência do idoso, a perda de tecido muscular, tecnicamente conhecida como sarcopenia.

A sarcopenia causa diminuição na velocidade para caminhar e pegar objetos, além de cansaço, dores nas pernas, perda da mobilidade, aumento da chance de queda e mortalidade. Segundo o Dr. Rafael Higashi, mestre em medicina, nutrólogo e neurologista, a partir dos 30 anos registra-se uma perda de massa muscular entre 3% e 5% a cada década. Com isso, na oitava década de vida, já existe uma perda de massa muscular ao redor de 60%. Considerando que o tecido muscular é responsável por 60% do peso corporal, esta perda gera um impacto profundo no metabolismo do idoso, com aumento de gordura visceral pela diminuição de gasto calórico.

Para o diagnóstico da sarcopenia no idoso, além da queixa do paciente, o médico pode utilizar de instrumentos simples como a fita métrica, para medição da circunferência da panturrilha. Uma medicação abaixo de 31cm indica depleção muscular, ou seja, sarcopenia. Outros métodos com aparelhos mais simples como o dinamômetro – que mensura a força do aperto da mão também pode ser útil, pois uma força de preensão abaixo de 30kg (homem) e 20Kg (mulher) sugere fraqueza muscular. Outros exames complementares, como a bioimpedânciometria multissegmentada, também podem ser úteis pois mensura, através de aparelho, a composição corporal em quilos/por segmento; a quantidade de massa muscular esquelética, água corporal e massa de gordura.

A causa da sarcopenia é multifatorial. Está relacionada ao envelhecimento dito “normal”, como a diminuição dos hormônios anabólicos (ex:testosterona, GH, IGF1, DHEA); a disfunção mitocondrial do envelhecimento e fenômenos patológicos como a falta de nutrição adequada de vitaminas e proteínas; perda de neurônios motores por doenças neurodegenerativas, inflamação crônica; além da inatividade causada por diversos fatores como dor e depressão que geram um ciclo vicioso.

De acordo com Higashi, o tratamento da sarcopenia objetiva reestabelecer a qualidade de vida do idoso, como a independência motora para caminhar. Dependendo dos motivos que levaram o idoso à sarcopenia, o tratamento costuma ser uma combinação de um plano alimentar, com suplementação vitamínica, exercícios anaeróbicos e reposição hormonal (quando deficiente).