Luto por animais de estimação - Saúde Bem Explicada

Saúde Bem Explicada13 de julho de 20184min785
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Eu nunca tive um animal de estimação. Há três anos passei uns dias na casa de uma amiga e sua cadelinha não podia me ver no sofá que vinha ficar ao meu lado. Desde então, entendo quando as pessoas falam com tanto amor de seus bichinhos. Viver o luto pela morte deles deve ser realmente muito sofrido. Felizmente têm profissionais preocupados com o assunto.

As psicólogas Glauce Corrêa e Erika Pallottino coordenam um grupo formado pelos  veterinários Frances Marie Tims, Andrea Barboza, Rômulo Braga, Rita Ericson e Gilberto de Araújo para que eles possam levar  para dentro das clínicas veterinárias a melhor forma de lidar com o luto e a terminalidade. Além disso, os profissionais promovem mensalmente encontros  gratuitos de duas horas com pessoas que vivem esse luto. O objetivo é abrir espaço para que elas falem de sua dor e possam chorar sem serem julgadas.

Conversei um pouco com parte do grupo ontem, 11/7, e pelo que entendi para os veterinários trabalhar com eutanásia é um sofrimento enorme e é realmente preciso entender a dor das pessoas, assim como  manter a própria estrutura emocional. Como os animais vivem bem menos do que os homens, os veterinários muitas vezes o acompanham durante toda a vida e o momento da morte também é muito doloroso para eles.

Para Glauce, as situações de sofrimento e angústia, muitas vezes carregados de problemas de ordem existencial ou pessoal, mais o despreparo para lidar com a dor do proprietário junto com o sofrimento real que passam na rotina de trabalho levam estes profissionais à Síndorme de Burnout. O luto por animais de estimação não é reconhecido, embora eles sejam criados como membros da família. A intensidade da dor não é validada por pessoas que não compreendem esse afeto. Para muitos o tempo de sofrimento pelos seus bichinhos é injustificável.

Erika acredita que em um mundo em que as pessoas estão cada vez mais conectadas na internet, o animal chega para promover afeto.  O bicho pede carinho, atenção.  Segundo ela, hoje é muito comum assistirmos  cachorros em carrinhos de bebê pelas ruas e nos carros em cadeirinhas próprias para crianças.“ Passear com os cães socializa, leva as pessoas para a rua e a interagirem”. O animal também é cada vez mais visto como um suporte emocional. Muitas vezes chega depois da morte de um familiar e uma separação.

Eu mesma percebo como meus amigos e  conhecidos estão mais abertos para mostrar seu amor pelos animais. Erika fala que os vínculos sempre existiram, mas agora há  maior exposição. Para participar do grupo dos enlutados pet é preciso enviar um e-mail para tanatovet@gmail.com  a fim de que uma psicóloga possa entender melhor a história da pessoa e avaliar  o perfil para inclusão no grupo que normalmente tem entre 10 e 12 pessoas.