Estudo dos biomarcadores no liquor é o exame que detecta a fisiopatologia da doença de Alzheimer mais precocemente - Saúde Bem Explicada

Saúde Bem Explicada29 de junho de 20187min962
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Pesquisas recentes registram que, aproximadamente, 20% das pessoas com 65 anos de vida já apresentam um quadro neurológico chamado de déficit cognitivo leve e, cerca de 38% destas desenvolverão, em cinco anos, a Doença de Alzheimer (DA). O mestre em medicina e neurologista Dr. Rafael Higashi, da Clinica Higashi, faz o alerta de que um terço das pessoas, ao redor dos 85 anos, desenvolverá a Doença de Alzheimer, evidenciando uma condição neurológica bem comum.

Diante desses índices alarmantes vem crescendo o interesse por questões relacionadas às doenças degenerativas, de origens diversas e permeadas por um universo de incertezas. E, para esclarecer as frequentes dúvidas que rondam as mesas dos restaurantes, dos consultórios e encontros sociais com família e amigos, como “ando tão esquecido, será que eu estou com início de Alzheimer?”ou  “será que a minha mãe está com Alzheimer?” – o neurologista esclarece como ocorre a evolução dessa doença.

Segundo o especialista já é possível se fazer o diagnóstico fisiopatológico da doença logo no início, muito antes do quadro demencial, partir do exame do liquor -Líquido Cefalorraquiano (LCR), – que estuda os biomarcadores da Doença de Alzheimer, refletindo a “assinatura” da doença.  Também conhecido também como  ou líquido da espinha, é um fluído corporal transparente, produzido pelo cérebro, que pode ser retirado através de uma punção liquórica na coluna lombar. Ao ser enviada ao laboratório, a alteração dos marcadores de proteína TAU e Amiloide registra os primeiros sinais da doença de Alzheimer, antes mesmo que as manifestações clínicas apareçam.

A evolução da doença de Alzheimer pode ser dividida em 3 fases; a fase pré-sintomática, quando o paciente não tem alterações objetivas em testes de memória, entretanto, já está com a doença, bem no seu início; a fase prodrômico ou chamado de déficit cognitivo leve, quando o paciente já apresenta perda de memória, comprovada através de testes e cognitivos da memória, realizados no próprio consultório do médico, (nesta fase da doença a pessoa ainda não tem perda de suas atividades de trabalho), e a demência de Alzheimer propriamente dita, que apresenta manifestações cognitivas importantes a ponto de provocar alteração nas atividades cotidianas, já sendo notada a perda no rendimento e funcionalidade do indivíduo.

O exame do liquor é útil principalmente nas fases iniciais da doença, a pré-clínica ou de déficit cognitivo leve, antecipando o médico e a família às complicações da doença. Contudo, o neurologista discorda daqueles que acreditam que seria melhor o paciente não ter o diagnóstico da Doença, em uma fase bem inicial. “Apesar da doença de Alzheimer ainda não ter cura hoje, com os tratamentos atuais podemos prolongar a vida produtiva do paciente. Conhecer o inimigo é o primeiro passo para ganharmos a luta e, além disso, pode ser que, no futuro próximo, uma medicação venha a inibir a progressão da doença, podendo beneficiar aqueles com o diagnóstico da doença logo no estágio inicial”, afirma o especialista.

A boa noticia é que aqui no Brasil, os laboratórios especializados de análise de líquor já estão aptos a realizar a medição da dosagem destes biomarcadores e outros exames para detecção da DA pré-clínica ainda estão em fase de pesquisa. E, recentemente, pesquisadores japoneses e australianos publicaram na Revista Nature, estudos de marcadores de sangue para DA capazes de detectá-la no estágio pré-clínico e inicial, mas estes testes são apenas disponíveis para pesquisa e a acurácia do seu resultado ainda precisa ser confirmada por outros estudos. Mas é importante não confundir exames que registram o aumento do risco com exames diagnósticos. Já é possível saber hoje o aumento da chance de uma pessoa desenvolver a DA através de um teste de sangue chamado de genotipagem da APOE, que informa o aumento ou a diminuição do risco de ter a DA, mas não é diagnóstico. “Esses testes dizem a respeito do aumento ou da diminuição da chance de ter Alzheimer, e não do diagnóstico fisiopatológico da Doença.” pondera o neurologista Rafael Higashi.

O principal fator de risco para a DA é o próprio envelhecimento. “Diante de queixas de perda da memória aos 40 anos, a probabilidade de estar com a doença de Alzheimer, diferentemente do que ocorre aos 85, é pequena, contudo há exceções da Doença de Alzheimer que se iniciam antes dos 65 anos, as quais denominamos de Alzheimer precoce”, alerta o neurologista. Nestes casos, normalmente, a origem é de ordem genética podendo ser do tipo autossômica dominante, quando o progenitor é portador do gene da doença, levando o risco de cada descendente herdar o gene à ordem dos 50%, e ter a denominada “doença no futuro”.

Em suma, hoje já é possível, o diagnóstico precoce da Doença de Alzheimer, entretanto, exames do liquor necessitam de punção liquórica, que só pode ser realizados por médicos com experiência neste tipo de procedimento, normalmente o neurologista.

Fonte: assessoria de imprensa Fatutti Comunicação