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Saúde Bem Explicada19 de junho de 20184min194

 

Levanta a mão aí quem nunca se sentiu angustiado, desanimado, ansioso, melancólico e até mesmo deprimido? As pessoas podem até não falar, mas entre silenciar e não sentir há uma grande diferença.

Será que os únicos caminhos para se tratar são procurar um psiquiatra e um psicólogo? Quero deixar claro que ambos são fundamentais, mas outras atividades paralelas também ajudam muito no tratamento de problemas emocionais.

Solte a voz

Se você gosta de cantar, por exemplo, fazer aula de canto é muito bom. Eu já experimentei soltar a voz e saí da aula, levinha, me sentindo quase uma Marisa Monte. Tive sorte de ter aula com Analu Paredes, que sempre me incentivou e acolheu em suas aulas. A gente ouve dizer que “quem canta seus males espanta” e acho que é verdade mesmo. Pena que não usamos e abusamos dessa facilidade.

 

Já parou para pensar que sozinho você pode cantar a qualquer hora? E vamos combinar: tem hora que tudo está muitoooo difícil mesmo, a gente sabe, mas sempre há uma saída. Eu acredito!

 

Relaxe a mente

Você já experimentou praticar Yoga?  Além de se exercitar, com as aulas de Yoga você aprende técnicas de respiração. E a gente não imagina como faz bem aprender a respirar profundamente. Exercícios de respiração acalmam muito, logo sua ansiedade diminui. Quando você está mais calmo, tudo fica mais claro. E você pode fazer isso a qualquer momento.

 

Viu que recurso interessante? Só não vale esquecer que você tem essa possibilidade e não depende de ninguém. Faça isso na hora em que estiver nervoso. Se dê essa chance.

 

Solte o corpo

Agora me fale: você acha possível alguém ficar tenso enquanto está dançando? Você pode até começar meio nervoso, desengonçado, mas logo relaxa e fica feliz. Então, que tal uma aula de dança ao invés de ficar numa esteira? Você dança, canta, tudo junto. Não venha me dizer que você não leva jeito para dançar porque mais dura que eu não existe.

 

Minha experiência em uma aula de dança de salão esses dias foi engraçada.  Fui tirada para dançar por vários rapazes da academia que ficavam pelo salão e não teve um que não dissesse para eu ficar calma. Ouvi assim: “deixa eu te levar; não acelera; você está tensa”. E quer saber?  Eu estava nervosa mesmo. Um até perguntou: “Mônica, você está procurando dinheiro? Pare de olhar para o chão, relaxe…”No final da aula eu já estava era me divertindo.

 

Você já praticou alguma dessas atividades e se sentiu melhor? Tenho certeza que muita gente pode se beneficiar com nossas experiências. Comente e compartilhe com seus amigos e familiares este artigo sobre três atividades agradáveis que ajudam no tratamento de problemas emocionais.

 


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Saúde Bem Explicada14 de maio de 20186min533

 

Há tempos venho pensando em escrever sobre “Tecnofobia”. Sim, o medo da tecnologia pode afetar muitas pessoas.

Conversei com a psicóloga , Isabela Duque Lessa Bastos, para entender um pouco sobre como isso começa e assim tentar ajudar a quem sofre desse “mal” . Ela respondeu algumas perguntas que fiz e escreveu um artigo para o blog Saúde Bem Explicada.  Vamos lá:

Medo é um estado emocional que surge em resposta a consciência diante a uma situação de eventual perigo ou de algo novo. Por exemplo, o homem primitivo temia os fenômenos da natureza, como raios, trovões e estrelas cadentes. Isso porque ele não podia e nem sabia como explicar, e achava que esses fenômenos era a representação do mal ou um castigo dos Deuses.

Desde nossos primórdios a espécie humana vem enfrentando uma série de desafios e só pode sobreviver quem tinha muita percepção do que estava acontecendo ao seu redor.

Podemos dizer que a herança do processo de ansiedade existe na natureza como forma de defesa e preservação da nossa espécie.

Nos dias atuais o problema da ansiedade, em alto grau, pode se tornar paralizante, não tendo assim uma resposta de luta ou fuga.

Já a fobia é uma sensação exagerada do medo e pode se apresentar como uma aversão por alguma coisa ou alguém. E esta é tratada como uma patologia, considerada uma doença psicológica, e que causa o medo mórbido, a repulsa e a angústia intensa de algo específico, um lugar, uma condição, um sentimento, o medo da tecnologia etc.

Como superar essas dificuldades? Confrontando esse medo de forma muito lenta e gradativa, e fazendo com que a pessoa não enxerge a tecnologia como um grande “Bicho Papão”. Com isso, esta terá mais disposição para aprender a usar a novidade.

As pessoas têm medo de apertar uma tecla errada e ficarem sem saber o que fazer. Além disso, existe uma pressão em ter que responder rapidamente ao que chega, como  por exemplo, pelo “WhatsApp”. Elas cobram quando mandam uma mensagem, você viu e não respondeu. Isso é escravizante.

A cobrança é que todos têm que saber mexer com tecnologia, porque a sociedade diz  que você tem a obrigação de entender de tudo. Tem que ter resposta para tudo. Hoje a tecnologia faz parte de nossa vida cotidiana. Mas nem todos conseguem se adaptar a essa realidade, e sofrem por isso. Elas não podem errar e essa pressão pode gerar ansiedade.

A questão vai muito da relação com o mundo, além da curiosidade que varia muito de pessoa para pessoa. Há casos de pessoas novas que usam bastante o celular mas não lidam bem com os ditos SmartPhones, contudo já são mais familiarizadas com o computador.

É possível trabalhar a fobia entendendo o porquê dela. O que esse medo significa, em que momento ele apareceu, como a tecnologia se apresentou para determinada pessoa. É preciso fazer uma dessensibilização. Muitas vezes a fobia não é necessariamente de algo que a pessoa pensa que é, mas sim um fato que  aconteceu e desencadeou essa fobia.

As fobias muitas vezes levam à depressão,  porque as pessoas não conseguem se confrontar com seus medos, pois acreditam que não têm capacidade para lidar com aquela situação. É preciso lembrar que a gente só acerta quando erra.

Os medos também podem não ser seus, e sim virem de outra gerações, como por exemplo, filhos de pais super protetores. A pessoa ouviu muito para ter cuidado, não ir para a rua, o mundo é difícil. Esses medos não são da pessoa e sim dos pais.

Apesar de alguns momentos a tecnologia se apresentar como algo fóbico; ela também aproxima as pessoas, permitiu a descoberta da Medicina, Astronomia, Genética, conhecimentos científicos e etc. Ela possibilita também a velocidade da informação, abre novos mundos, permite uma viagem ao conhecimento.

Gosto de trabalhar com recursos lúdicos como filmes, livros porque acredito que isso aproxima o paciente, já que ele vê outras pessoas passando por dificuldades, e é uma forma de dar exemplos mais concretos sobre determinado tema. A dificuldade tem a ver com aptidão e não com inteligência.

Isabela é psicóloga do Núcleo Integrado de Psicologia Clínica e Hospitalar da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro.

 


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Saúde Bem Explicada3 de abril de 20183min2073

O Núcleo Integrado de Psicologia Clínica e Hospitalar na Santa Casa de Misericórdia, no centro do Rio, desenvolveu um programa de Acolhimento Perinatal para mulheres grávidas com atendimentos individuais e em grupo.

A escuta psicológica na gestação e no puerpério, período pós-parto, é fundamental porque as trocas terapêuticas visam uma construção respeitosa dessa caminhada, acolhendo as dificuldades, dúvidas, alegrias, compartilhando experiências e, acima de tudo, respeitando as individualidades.

Segundo a psicóloga Adriana Moraes, responsável pelo projeto, o espaço foi criado para trocas,  em um momento em que sentimentos ambivalentes atravessam o corpo tão convocado para a gestação. “É um lugar para a mãe ser vista e se ver, compreender e explorar os conflitos pertinentes às mudanças que se anunciam com a chegada do bebê”, explica.

De acordo com Adriana, durante muitos séculos coube às mulheres a maternidade como destino. Hoje, elas são livres para exercerem sua sexualidade, inclusive com a possibilidade de desvinculá-la dos laços matrimoniais, poderem decidir a época e o real desejo pela maternidade e  até mesmo vivê-la preterindo um companheiro. Entretanto, essa nova construção social do que é ser mulher, parece ainda estar em andamento, com muitas conquistas psíquicas e sociais para seu pleno exercício, livre de culpas e confiantes de suas escolhas.

Todas essas transformações refletem diretamente nas relações sociais e familiares e podem trazer profundos conflitos que, por vezes, apresentam-se como dicotômicos: mãe x profissional, mãe x mulher, mãe x vida pessoal/social, mãe x beleza.  As cobranças são infindáveis.  A mulher cabe um acúmulo de tarefas, jornadas triplas numa exigência de perfeição que extrapola os limites humanos.

Os atendimentos acontecem às terças-feiras.

Mais informações pelo e-mail: polinze.se@gmail.com


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Saúde Bem Explicada20 de março de 20185min974

 

Há cerca de um mês houve a maior polêmica sobre hipnose. A técnica, aplicada por uma advogada em uma personagem que tinha sido abusada sexualmente pelo padrasto na novela “O outro lado do paraíso”, escrita por Walcyr Carrasco, passou a ser questionada. Quem era o profissional habilitado a aplicar  a hipnose?

 

Fiquei feliz quando a psicóloga Glauce Corrêa, doutora pela UFRJ, me enviou um artigo sobre o tema. Acho que o texto esclarece como a técnica deve ser aplicada. Boa leitura!

 

O valor da hipnose

 

A hipnose virou assunto fácil depois da abordagem da prática na novela. Junto com isso, surgiu muita polêmica sobre a eficácia da hipnose e seu uso pelo profissional de coaching.  Entre as atribuições de um coaching está a de atuar nas travas emocionais de uma pessoa, usando técnicas práticas e não necessariamente analíticas, que é uma das técnicas da terapia cognitivo-comportamental. Costuma ser utilizado como  um planejamento estratégico, para alcançar objetivos futuros, sem utilizar o passado ou valer-se da hipnose regressiva.

 

Antigamente a hipnose estava associada aos shows de circo. Hoje, ela é reconhecida como técnica auxiliar da Psicologia que depende de treinamento profissional específico. No Brasil, o Conselho Federal de Odontologia foi o primeiro órgão representativo de uma categoria profissional a reconhecer a hipnose como ferramenta clínica, em 1993, seguido pelo Conselho Federal de Medicina (1999), Conselho Federal de Psicologia (2000) e Conselho Federal de Fisioterapia e Terapias Ocupacionais (2010). Como se vê, existe todo um conhecimento científico e que deve ser restringido a profissionais da área da saúde capacitados. A hipnose é técnica terapêutica exclusiva dos médicos, psicólogos, dentistas, fisioterapeutas e outros profissionais que realizam terapia natural. Porém, quando se trata de profissionais que não possuem formação na área da saúde e que estão dispostos a atuar como um hipnoterapeuta, é fundamental ser formado em um curso de capacitação técnica em Hipnose Clínica e ser inscrito na Associação Nacional dos Terapeutas. Justamente por abranger complicações e conter contraindicações, sua utilização por pessoas leigas configura-se como curandeirismo.

Os psicólogos, independentes de suas abordagens terapêuticas, utilizam a técnica como ferramenta de trabalho para vários transtornos mentais. Portanto, não se deve banalizar ou tratar de forma tão superficial um assunto intensamente sensível.

A terapia cognitiva comportamental faz uso da hipnoterapia como técnica de tratamento, visando abordar a raiz do problema e não apenas os sintomas. Ela acessa conteúdos cognitivos com mais rapidez, promovendo mudanças na forma como a pessoa pensa, sente e se comporta.

A novela também lida com um trauma do passado que leva a personagem a um sofrimento mental, emocional e existencial. O atendimento psicológico com profissionais da Psicologia, neste caso específico, é o mais indicado. Na vida real, o uso da hipnose como técnica profissional, mas não como o único recurso do tratamento, tem se mostrado muito adequado e eficaz.

A avaliação psicológica de adultos, vítimas de abuso sexual, é um desafio para os profissionais da área da Psicologia, devido à sua complexidade. O trauma deixa marcas profundas e a vítima tem sua vida afetada completamente. Romper o silêncio e narrar algum episódio que pode levar às lembranças requer tempo, apoio e conforto emocional. O acolhimento e o suporte dados às vítimas são fundamentais, mas estes requerem, sempre, capacitação profissional adequada.

 

Dra. Glauce Cerqueira Corrêa da Silva

Presidente da SBRAMO – Associação Brasileira Multiprofissional em Oncologia

Diretora da Comissão de Psicologia da ABRAMEDE – Associação Brasileira de Medicina de Emergência – Nacional e Regional RJ

Mestre e Doutora pela UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro

 


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Saúde Bem Explicada19 de março de 20183min1146

A Medicina e a Literatura são culturas casadas e que dividem um território em comum: o drama humano. O nascimento, fonte de alegria, a vida como ela é em todas as suas fases; a doença e suas vicissitudes e monotonias e a morte, inexorável e mestre de todos os dias.

 

A interface entre a medicina e a literatura é a palavra e a medicina não existe sem a palavra. Por sua vez, a palavra não existe sem as emoções. Estas mesmas emoções, tão contraditórias e muitas vezes opostas, se completam como dizem os orientais. O choro não existe sem o riso, a alegria sem a tristeza, a dor sem o alívio e tantas outras que se misturam no dia a dia da medicina. A literatura nos presenteia com o poder de entender o outro. Todos somos contadores e personagens das histórias.

 

A medicina (ARS CURANDI) como a arte de curar e cuidar e a literatura (LITTERAE) como a arte de usar a palavra, são  referências de valores e vivências.  Uma união indissolúvel que traz a humanização a frente de qualquer tecnologia.

Nas veredas da poesia lírica e das narrativas encontrei o Cuidado Paliativo, que é o cuidado que protege, que individualiza e dá voz ao corpo, ao silêncio, a família e ao presente.

 

O manto histórico de nome Palium, origem da palavra paliativo, é o verdadeiro poder de doação de um médico ao toque de subjetividade de cada um.  É proteger ouvindo e lendo com os olhos. É o toque das letras ao alcance das mãos. Cuidar do outro em seu momento de maior fragilidade faz nascer a vontade de eternizar os momentos vividos e dar novos significados a velhos caminhos. A literatura mergulha e se entrelaça ao balneário de emoções da medicina e nos faz viajar pelas histórias e biografias de cada um, buscando em primeiro lugar a dignidade e o valor da vida.

 

Lorraine Veran

Médica especialista em Cuidados Paliativos

Escritora e autora do livro  “ Um diálogo com a vida”


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Saúde Bem Explicada20 de dezembro de 20179min621

É final de tarde em São Bernardo, no ABC paulista, e grupos de universitários se reúnem e conversam animadamente em frente ao prédio em que terão aula dali algumas horas.

Eles se revezam no violão. O repertório é eclético, de pops românticos a MPB. O clima parece de festa, até que se toca num assunto tão delicado quanto cotidiano para eles: a ansiedade e a sobrecarga da vida universitária.

Na roda, que começa com nove universitários, todos se angustiam com a cobrança do ensino superior.

Dois deles tinham acabado de pedir trancamento do semestre por motivos psicológicos. “Eu estou com o meu laudo aqui na mão, vou até a secretaria daqui a pouco”, disse um rapaz que pediu anonimato.

Ele contou que não estava mais aguentando a carga por sofrer de ansiedade e que não conseguiria aproveitar os créditos das matérias que já havia cursado –o trancamento se referia ao semestre anterior. As disciplinas não entrariam em seu currículo, o que é uma possibilidade na UFABC (Universidade Federal do ABC).

Quase ao mesmo, todos começam a listar motivos para que a ansiedade –e em alguns casos até a depressão– se instale.

Segundo os estudantes, a cobrança acadêmica da vida universitária é alta: muito conteúdo, trabalhos e provas. E muitos deles fazem jornada dupla, seja porque trabalham, seja porque fazem mais uma graduação.

Ana Sophia Coimbra, 20, mora no Tatuapé, faz direito matutino na PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e o bacharelado em ciências e humanidades à noite na UFABC, em São Bernardo, desde 2016.

Em sua opinião, o esforço de levar duas graduações ao mesmo tempo vai “valer a pena para o futuro profissional”. Só que ela já desistiu de terminar as duas no tempo mínimo.

Neste final de semestre, ela pediu o trancamento na UFABC. O sorriso largo de Sophia desaparece quando ela conta que a rotina é bastante puxada, desgastante e estressante. O final do ano é quando as provas das duas graduações se acumulam.

“Neste último quadrimestre, que seria o que eu já deveria pegar as matérias de economia, não consegui pegar nenhuma”, diz Sophia. Na UFABC, o aluno escolhe as disciplinas que deseja fazer a partir das notas anteriores. O bacharelado permite especializações, como economia, filosofia ou políticas públicas.

“Foi um quadrimestre bem difícil, também sofri com ansiedade e estresse”, conta, sem querer especificar o motivo para o trancamento do curso.

Outros alunos que se aproximam concordam que a ansiedade e a sobrecarga estão bastante presentes na rotina.

“Problema que a gente sempre vê por aqui”

O problema é tão corrente que há uma instância institucional na UFABC para apoiar os alunos. As duas entidades estudantis que atuam no campus, o DCE (Diretório Central dos Estudantes) e a Caap (Central Acadêmica de Atividades Poliesportivas), ., têm esse assunto em suas preocupações. Já o DCE promoveu discussões e debates.

No final de novembro, uma postagem em sua página no Facebook convocou os alunos: “Saúde mental importa! Neste fim de quadrimestre, não deixe de lado algo tão importante quanto suas notas”.

Já a Caap aposta na prática de esportes para enfrentar a ansiedade e o estresse. Naquele final de dia, em São Bernardo, alguns alunos jogavam vôlei de praia, na quadra de areia inaugurada há pouco tempo.

Entre os esportistas, havia dois diretores da entidade: Luiz Felipe Sallani e Warley Brenke. Eles contam que tentam incentivar a prática de esportes como uma válvula de escape.

“A gente não comenta isso no dia a dia, a gente fala das coisas boas”, diz Luiz Felipe ao ser questionado se problemas psíquicos fazem parte dos seus relatos sobre a universidade. “Mas isso [ansiedade, depressão, sobrecarga] é um problema que a gente vê sempre por aqui”, completa Warley.

Situação tem se agravado, dizem professores

O percentual de sofrimento psíquico entre os universitários chega a 49,1% – ou seja, um a cada dois estudantes brasileiros do ensino superior sofre com problemas psicológicos. Esse número é o resultado de estudo feito a partir de  1.375 artigos internacionais que analisam a rotina de alunos da área da saúde. Como comparação, o percentual do cidadão brasileiro médio gira em torno de 30%.

“Sentir-se ansioso ou triste em determinadas situações faz parte da vida, mas esse quadro chama a atenção nessa faixa da população”, explica a psicóloga Karen Graner, uma das autoras do estudo, em conjunto com a professora Ana  Teresa de Abreu Ramos Cerqueira, da Unesp (Universidade Estadual Paulista), em Botucatu.

“A percepção dos alunos sobre sua vivência na universidade pode influenciar a sensação de bem-estar. Chamo aqui a atenção também para fatores que ainda vêm sendo pouco investigados, como a percepção de discriminação social, de violência escolar, como a prática do trote, problemas atuais nas universidades brasileiras e que podem favorecer ou intensificar o sofrimento entre os estudantes”, completa Graner.

Alguns professores ouvidos pela reportagem do UOL relatam que o problema tem se agravado nos últimos anos.

Quem trabalha com os estudantes diretamente concorda com essa percepção. “Existem situações na universidade que geram estresse”, diz Rinaldo Molina, coordenador do Proato (Programa de Atenção e Orientação a Discentes), instituído no Mackenzie em agosto de 2015 em caráter experimental e que foi oficializado em fevereiro de 2017.

Os alunos do curso de psicologia já recebiam algum atendimento, segundo Molina, mas esse programa visa atender toda a universidade “porque o problema estava crescendo”.

Cada estudante encara os desafios de maneira diferente. A proximidade com a questão da depressão –por causa da mãe– e com a ideia de se matar –fruto da sua própria condição psicológica– levou o estudante da UFABC Victor Setti, 23, a tomar a prevenção de suicídio como tema de estudo.

“De tanto pensar nisso [ele conta que teve um esgotamento psíquico em 2015 e pensou em se matar], acabou que comecei a estudar na filosofia alguns autores e parti para minha área, em políticas públicas”, diz.

Já Gabriel Victor Bondan, 21, diz lidar bem com o estresse. Ele faz duas faculdades: termomecânica na Fundação Salvador Arena e ciências e humanidades na UFABC.

“Descobri que, com o tempo mais apertado, eu acabei me esforçando mais no pouco tempo que tenho e isso até aumentou minhas notas na termomecânica”, diz o estudante, que admite dormir apenas quatro horas por noite. “Acho que trabalho melhor sob pressão.”

Karina Yamamoto Colaboração para o UOL, em São Paulo –  18/12/2017