images-1.jpg

Saúde Bem Explicada14 de novembro de 20172min353

 

O papel de provedor familiar pode ser um dos responsáveis pelo desinteresse de grande parte dos homens no cuidado com a saúde. O câncer de próstata é a segunda maior causa de morte masculina. O Inca ( Instituto Nacional do Câncer) registrou 61.200 novos casos da doença em 2016.

De acordo com o oncologista clínico Fábio Afonso Peixoto, a dosagem rotineira do PSA ( Antígeno Prostático Específico) pelo sangue e o toque retal anual a partir dos 45 anos é fundamental para evitar a doença. “O toque retal é o meio que temos de saber a forma, o tamanho e se existe alguma alteração na próstata. O exame dura menos de 15 segundos. Está na hora de perder o preconceito. O diagnóstico precoce cura 90% dos pacientes”

Peixoto afirmou durante o Segundo Med Talks, ciclo mensal de palestras gratuitas e abertas ao público, com 10 minutos cada uma, proferidas por médicos que são referência em suas especialidades, que os homens vivem seis ou sete anos menos do que as mulheres. Ele explicou que é preciso tratar o indivíduo, identificar o que está fora do padrão e mudar isso para evitar contrair uma doença responsável por 15% da morte dos homens”.

A maioria dos pacientes com a doença são assintomáticos  e os que apresentam alguns sintomas normalmente estão relacionados com a atividade sexual. “Acho necessário sempre o acompanhamento de um clínico e não só o médico especialista. As pessoas precisam pensar em prevenção, e não somente em tratar a doença”, finaliza.

 


Pedro-Paulo-de-Sá-Earp-2-1280x720.jpg

Saúde Bem Explicada3 de novembro de 20176min87

 

O tumor maligno de próstata, segunda maior causa de morte masculina, atingiu 61.200 novos casos em 2016 e levou a morte  13.722 homens, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). O diagnóstico precoce cura 90% dos pacientes e é feito por meio da dosagem anual do sangue verificando-se o PSA (Antígeno Prostático Específico) e realizando o toque retal.

O urologista Pedro Paulo de Sá Earp, professor de Urologia da Faculdade de Medicina de Petrópolis e membro da American Urological Association e da Société Internationale D’Urologie ressalta a importância da realização dos exames preventivos.  “Eles não visam evitar a doença, mas diagnosticá-la precocemente e com isto permitir a instituição de um tratamento precoce, o que leva a  evitar mortes.

Nos Estados Unidos, graças a uma orientação dada provavelmente de forma parcialmente equivocada, as dosagens laboratoriais do PSA e os exames prostáticos dos homens vêm, de algum modo, sendo desincentivados. Como consequência, o diagnóstico do câncer de próstata caiu 28%.  Isto fez diminuir a detecção do câncer de próstata de alto risco (que pode vir a matar um indivíduo) em 23% dos casos.  Vamos observar o que vai resultar desta atitude nos próximos anos, mas a consequência poderá não ser boa”, preocupa-se.

Professor da Faculdade de Medicina de Petrópolis (FMP/Fase-RJ), Pedro Sá Earp explica o exame do toque transretal da próstata. Ele conta que o urologista pode aferir através do exame digital da próstata o seu tamanho, a sua superfície, os seus contornos, a sua mobilidade, a sua sensibilidade e  especialmente a sua consistência. “É o toque que diz se  a próstata está dura ou se possui nódulos, e esses dados podem falar sobre a existência de um câncer.”

Há ainda um exame de sangue que verifica a dosagem de uma enzima produzida pela próstata e que se chama PSA. Segundo o urologista, a dosagem de PSA pode falhar em até 16% dos casos. “Existe também a ultrassonografia da próstata, que pode falhar em mais de 40% dos casos.  Recentemente, exames de imagem mais sofisticados, tais como a RM funcional prostática e até o PET-CT de PSMA, vieram trazer subsídios muito valiosos para o diagnóstico e o estadiamento da doença prostática. Desta forma a conjunção de todos esses exames pode diminuir o número de falhas na detecção do câncer da próstata quando bem utilizados”, diz.

O professor da FMP/Fase ressalta que o toque prostático ajuda a diagnosticar e a diferenciar a hipertrofia benigna da próstata e o câncer da próstata.  Se o paciente apresenta um histórico familiar de câncer de próstata, de mama e de cólon recomenda-se que o primeiro exame seja feito entre 40 e 45 anos. “Nos EUA inclui-se no rol das pessoas de risco também os afrodescendentes, já que a incidência de câncer de próstata é maior entre eles. Aqui, o habitual é fazer o exame após os 50”, observa Pedro Sá Earp.

O especialista cita também outro exame importante para a saúde do homem: a colonoscopia, que faz a inspeção endoscópica de todo o cólon e reto. A iniciativa ajuda a diagnosticar e prevenir divertículos, pólipos (tumores benignos) e o câncer do intestino grosso. “Se nada for detectado no primeiro exame, ele deverá ser repetido a cada cinco anos. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que o exame seja feito a partir dos 50 anos.”

O urologista frisa que não só os mais velhos devem fazer exames preventivos: “Para o menino há indicação do exame da genitália externa para detecção de patologias tais como, fimose, hidrocele (líquido derramado intraescrotal), varicocele (varizes escrotais), criptorquidia (testículo fora da bolsa escrotal) etc. No jovem e no homem maduro, o autoexame do testículo poderá determinar a presença de câncer testicular. A inspeção da uretra pode detectar a presença de secreções uretrais (DST). O autoexame do pênis poderá determinar a presença de verrugas próprias do HPV, ulcerações compatíveis com herpes ou mesmo com cancro sifilítico. No homem da terceira idade recomenda-se a observação do fluxo urinário que poderá estar diminuído nos casos de hipertrofia benigna da próstata.”?