AVC: O que é e como identificar - Saúde Bem Explicada

Saúde Bem Explicada11 de outubro de 20177min874
O Acidente Vascular Cerebral é um conjunto de alterações neurológicas, que iniciam de forma súbita, que duram mais que 24h e de origem vascular, ou seja, é uma alteração do fluxo de sangue dentro do cérebro. Cerca de 15% dos AVC’s ocorrem por extravasamento de sangue em alguma região do cérebro, provocando uma isquemia cerebral.

O Acidente Vascular Cerebral é um conjunto de alterações neurológicas, que iniciam de forma súbita, que duram mais que 24h e de origem vascular, ou seja, é uma alteração do fluxo de sangue dentro do cérebro. Cerca de 15% dos AVC’s ocorrem por extravasamento de sangue em alguma região do cérebro, provocando uma isquemia cerebral. O principal fator desencadeante para o AVC é a doença arteriosclerótica. Ela é uma doença degenerativa das artérias que consiste em placas formadas por células necróticas lipídicas e cristais de colesterol. O AVC é hoje a segunda causa de morte no mundo e é responsável por, em média, seis milhões de mortes a cada ano. No Brasil, a doença lidera a lista das enfermidades que mais levam pacientes ao óbito.

O AVC atinge mais o sexo masculino e está crescendo entre as mulheres, principalmente no período da menopausa. O AVC hemorrágico é causado pela ruptura de um vaso sanguíneo, ocasionando o derrame de sangue no cérebro. Já o isquêmico ocorre através do entupimento de artérias responsáveis pela circulação do sangue no cérebro. Podemos comparar as nossas artérias ao encanamento da nossa casa. Se jogarmos muita gordura pelo ralo, provavelmente, com o tempo, os canos vão entupir mais rápido que a tubulação que não tem gordura. É o que acontece com o nosso corpo – os vasos sanguíneos ficam entupidos, provocando a ineficiência da circulação do sangue no cérebro. Os principais sintomas do AVC são perda de força em metade do corpo, fala arrastada, face torta. Ele pode ser fatal quando acomete as partes mais calibrosas das artérias cerebrais. Ou seja, quanto maior o calibre da artéria, maior é a área do cérebro irrigado por esta artéria, consequentemente, vai ser maior a área da isquemia.

Os principais fatores de risco são: diabetes, hipertensão, colesterol alto, tabagismo, uso excessivo de bebidas alcóolicas, entre outros. Uma pessoa que fuma tem 50% a mais de chance de ter um AVC, tanto o hemorrágico como o isquêmico. O risco de AVC aumenta por causa do efeito da nicotina, que forma placas nas paredes internas das artérias. Quando alguma placa se rompe pode ocorrer uma ruptura da parede da artéria fazendo um AVC hemorrágico. Mas estas placas podem aumentar tanto de tamanho que pode diminuir o fluxo de sangue em uma região do cérebro, fazendo assim uma isquemia cerebral. Outro agravante é quando o fumante traga o cigarro e acontece uma diminuição do calibre das artérias, isso acontecendo em uma artéria que já tem o fluxo diminuído por causa de placas, aumenta mais ainda o risco de AVC.

Conscientizar a população sobre a importância da adoção de hábitos saudáveis no dia a dia é apenas o começo da prevenção. É preciso que a sociedade entenda que o tratamento da pressão alta, colesterol e diabetes são essenciais para manter-se sempre longe dos riscos do AVC. Entre os fatores preventivos, o fim do tabagismo e a adoção de uma alimentação saudável, com frutas, legumes, verduras e carnes brancas, somadas a prática de exercícios físicos.

Embora a grande maioria de derrames ocorra nas pessoas com mais de 65 anos (o risco é 30 a 50 por mil nesta faixa etária), de 10 a 15% dos casos afetam pessoas de até 45 anos (risco de um em mil). Um estudo realizado por médicos do Programa de Derrames do Centro Médico de Detroit, da Universidade Estadual Wayne, descobriu que entre 57 vítimas jovens de AVC, uma em sete recebeu o diagnóstico errôneo de vertigem, enxaqueca, embriaguez, convulsão, labirintite ou outros problemas, recebendo alta sem o tratamento adequado. As vítimas jovens de derrame se beneficiam mais do tratamento imediato, e ele deve ser administrado dentro de quatro horas e meia. Depois de 48 a 72 horas, não existem grandes intervenções disponíveis para melhorar o resultado do derrame.

Os Centros para Controle e Prevenção da Doença relataram um aumento abrupto dos casos de AVC entre pessoas na casa dos 30 e 40 anos. O aumento nos fatores de risco – obesidade, diabetes, pressão alta e apneia do sono – e o aperfeiçoamento do diagnóstico explicam o crescimento. Porém, os pacientes jovens não estão em melhor situação hoje em dia para o reconhecimento dos sintomas da doença.

A maioria dos derrames que afetam os adultos jovens resulta de coágulos precipitados pelos fatores de risco cardíacos usuais e abuso de álcool e drogas. Entre as mulheres, o uso de pílulas anticoncepcionais pode elevar o risco de derrame.

Pensando em como informar a população sobre os sintomas e a prevenção do AVC (Acidente Vascular Cerebral), o neurologista André Lima programou uma palestra sobre o assunto, no dia 26 de outubro, a partir das 19h, no auditório da Universidade Estácio no Rio Ville Shopping (Av. Automóvel Clube, 2.384, Vilar dos Teles, em São João de Meriti). As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo telefone 2756-7886. Vagas limitadas.

*André Lima é neurologista e membro da Academia Brasileira de Neurologia, do Departamento Científico de Doppler Transcraniano da Academia Brasileira de Neurologia, do Departamento Científico de Acidente Vascular Cerebral da Academia Brasileira de Neurologia, membro fundador da Associação de Neurologistas do Estado do Rio de Janeiro, da Sociedade Portuguesa do Acidente Vascular Cerebral e membro da Europe Stroke Organization. Cursou especialização em doença cerebrovascular no Hospital Santa Maria, em Lisboa, Portugal e é diretor da clínica Neurovida.