Alimentação para idosos - Saúde Bem Explicada

Saúde Bem Explicada9 de abril de 201811min817
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JNC

Nutrição para idosos é um tema que me interessa muito. Felizmente tenho pais nessa faixa etária, mas a questão alimentar deles me preocupa. Esse foi um dos motivos que me levou  a fazer essa matéria com a nutricionista Larissa Cohen.

Vamos lá?

– Como deve ser um  programa alimentar para idosos ? Com o envelhecimento,  alterações fisiológicas e anatômicas naturais têm repercussão na nutrição do idoso. Essas mudanças podem incluir redução da capacidade funcional, alterações no paladar  e no  metabolismo e modificação da composição corporal.  Nesse sentido, o programa alimentar para idosos deve ser direcionado para suas condições e necessidades metabólicas, ser bem ajustado aos seus tratamentos medicamentosos, principalmente,  promover bem estar e prazer ao se alimentar.

 

–  Qual o principal cuidado com a alimentação?

A  consistência do alimento deve ser de acordo com as condições de mastigação e deglutição, caso contrário, o programa alimentar pode ser perfeito nutricionalmente, mas não  haverá a adesão necessária.

 

– É possível  identificar em uma consulta que o idoso está desnutrido? Como ?

Sim, por meio da avaliação do estado nutricional incluindo avaliação de medidas antropométricas (peso, estatura, circunfêrencias, dobras cutâneas), anamneses alimentar, exame físico e avaliação bioquímica.

 

–  Quais são as maiores complicações em casos de desnutrição?

Desnutrição e desidratação são muito graves quando ocorrem emi dosos e podem

agravar doenças crônicas pré-existentes ou levar ao desenvolvimento de outras doenças.

 

–  Quando se deve indicar suplementos alimentares para idosos?

Quando há dificuldade em atingir as necessidades nutricionais via alimentos, principalmente, mas pode-se usar também em casos de questões relacionadas à mastigação, deglutição, ou para complementar a alimentação.

 

– Qual a relação entre  a má alimentação e as doenças crônicas?

Alimentação inadequada e desidratação podem agravar doenças degenerativas relacionadas à idade, provocando delirium, problemas de deglutição e constipação intestinal, por exemplo.

 

– Depressão e demência interferem na alimentação?

 

Sim, tanto na escolha de alimentos, quanto no ato de comer, além de poderem levar à inapetência. Na demência pode haver a incapacidade de reconhecer o alimento e algumas vezes a pessoa não ingere o alimento por incapacidade de reconhecê-lo.

 

Quais as dicas que podemos dar para idosos com esses problemas?

 

 

É importante que exista um cuidador para dar o suporte necessário para esse idoso. Dessa forma, utensílios como copos, colheres e pratos podem ser adaptados para possibilitar a alimentação independente (optar por objetos de plastico ao invés de louça, talheres com cabos mais grossos para proporcionar mais facilidade ao pegá-lo, por exemplo); evitar guardanapos de papel porque podem ser comidos, para o prato não escorregar, usar um  jogo americano emborrachado embaixo; alimentos, devem ser sempre coloridos, cozidos com temperos suaves , evitar a monotonia alimentar para estimular o apetite. O idoso apto a cozinhar deve ser estimulado a preparar sua refeição com receitas simples.

 

– Há algo a ser feito para prevenir problemas de nutrição em idosos?

Cuidadores e familiares devem estar atentos aos hábitos alimentares dos idosos: observar geladeira (às vezes, sem querer, os idosos acabam deixando comida antiga na geladeira e comendo, o que pode desencadear uma infecção alimentar), observar mantimentos (se estão sendo comprados e preparados), ficar atento se o idoso  bebe água ou outros líquidos ao longo do dia, se está com dificuldade em mastigar por conta dos dentes, se estão íntegros ou caso use prótese dentária, se ela está ajustada ( com o envelhecimento ocorre uma perda de massa magra e emagrecimento. As próteses desajustam e machucam, e o idoso prefere não usá-la .Como consequência deixa de comer alimentos sólidos. Variar as refeicões porque por praticidade, alguns idosos se alimentam em pequenas e grandes refeições como café com leite e pão, muito pobres nutricionalmente.

 

 

 

– Muitos idosos quando estão internados no hospital adotam uma alimentação mais saudável, mas quando voltam  para casa as dificuldades no preparo de suas refeições é grande. Qual seria a melhor orientação para esses familiares?

Se não for possível ter alguém que fique responsável por comprar os alimentos e prepará-los, uma orientação seria deixar congelado vários potinhos de almoço e jantar para a semana. Sendo o almoço um cardápio mais variado e no jantar sopas liquidificadas. Além disso, comprar quantidades certas de frutas para não estragarem, podendo deixá-las higienizadas e picadas na geladeira. Estipular uma garrafa de ao menos 1,0L, para que o idoso tenha como medida de hidratação.

 

O nutricionista  deve ser procurado  pensando sempre em promoção de saúde e prevenção de doenças para que a dieta seja ajustada à fase fisiológica da vida e a rotina de cada um. Quando se fala em tratamentos de doenças, alguns médicos sugerem o acompanhamento nutricional para que haja otimização nesse cuidado bem como melhor qualidade de vida.

O idoso pode procurar o nutricionista para ajustar sua alimentação na saúde ou na doença, já que as mudanças fisiológicas e anatômicas são naturais no processo de envelhecimento, logo, a alimentação também deverá ser ajustada diante dessas mudaças.

 

 

– A alimentação varia de acordo com os problemas de saúde do idoso? É possível classificar os tipos de dietas de acordo com as doenças? Como isso funciona?

Sim, a alimentação  irá  variar com as alterações  que cada idoso apresenta. As dietas podem ser classificadas pela consistência, de acordo com os macronutrientes, a carga de sódio, mas tudo dependerá não só da doença, mas de todo o contexto de saúde e vida desse idoso, é algo que abrange mais do que a patologia especificamente.

 

– O que deve ser feito quando o idoso não está mais absorvendo os nutrientes dos alimentos? Qual é a causa dessa dificuldade?

Há uma tendência na redução de absorção de alguns nutrientes, como a Vitamina B12, por exemplo. Em alguns casos dessa deficiência, a própria redução do ácido clorídrico gástrico pode contribuir para diminuir essa absorção. É possível  tentar suplementações orais, ou em certas situações, o médico pode solicitar suplementação medicamentosa injetável.

 

– Como as refeições devem ser preparadas para aproveitar melhor seus valores nutricionais?

Sempre que possível utilizar alimentos da época, de preferência, orgânicos. Utilizar alimentos integrais. Na hora do cozimento de hortaliças, cozinhar  a vapor ou com o minimo de água possível ou reaproveitar a água do cozimento de legumes para cozinhar sopas.

 

– Conhece benefícios do mel e derivados para idosos?

Especificamente para idososnãoconheçosobre o mel. Inclusive, deve-se teratenção para idososdiabeticosou com intolerancia a glicosequantoaomel, não é indicado.

A geleia real é um alimento com grandepotencialnaimunidade, e, realmente, podeseruma boa opção para idososprevenirem gripes, resfriados.

O própolis (ou a própolis??)tambémfuncionabemcomoprevenção de gripes, é um antiinflamatório natural também.

 

 

A questão da desidratação no idoso é muito importante. A sensação de sede no idoso é muito reduzida. A maioria desenvolve problemas sérios como infecção urinária, delírio por não beberem água e outros líquidos. É um tema que deve ser chamado atenção dos próprios idosos, familiares e cuidadores. Uma solução é espalhar copos de água pela casa, aromatizar a água com folhas de hortelã ou lascas de gengibre. É possível diluir um pouco de limão na água ou tomar água de coco para estimular o consumo de líquidos.