Obesidade aumenta entre crianças e adolescentes - Saúde Bem Explicada

Saúde Bem Explicada4 de junho de 20186min184
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OBESIDADE AUMENTA ENTRE CRIANÇAS E ADOLESCENTES

Os dados sobre a obesidade infantil são preocupantes. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), pelo menos 41 milhões de crianças com menos de cinco anos estão acima do peso no mundo.

Meninos e meninas estão comendo mal, além de cada vez mais sedentários e adoecendo com maior frequência.  Dados de uma pesquisa do Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes (Projeto Erica) com alunos de escolas públicas mostraram que 8,4% dos brasileiros de 12 a 17 anos estão obesos, apresentando em paralelo maior propensão a desenvolver hipertensão, diabetes mellitus e colesterol alto.

A educação nutricional começa dentro de casa! Na realidade os pais e/ou cuidadores sempre serão o espelho dos filhos. Logo, se o adulto comer mal, a criança crescerá com hábitos ruins. Então se o menor convive com excesso de frituras, doces, refrigerantes e fast foods, acaba levando isso pra vida, e quanto mais enraizado estiver, mais difícil será pra corrigir. Em meu consultório, as desculpas que mais escuto são as da praticidade e falta de tempo para preparo de uma alimentação melhor.

Outro agravante é que o hábito antigo de sentar-se a mesa pra comer em família está cada vez mais extinto hoje em dia. Isso ocorre devido ao excesso de trabalho ou a rotinas atribuladas. O que acontece é que o ato de se alimentar requer atenção e concentração. Quando o adulto, a criança ou o adolescente ficam em frente à TV, eles não mastigam direito, nem prestam atenção no que se está ingerindo, pois a telinha é mais atrativa do que a comida.

Se a quantidade de adultos obesos e hipertensos assusta, imagina a das crianças e adolescentes? Cada vez mais cresce o número de patologias em idades menores. O que acontece é o aumento do consumo de fast foods e industrializados de maneira em geral. Cada vez mais embalagens atrativas aparecem, despertando neles a maior vontade do consumo.

A obesidade,  tanto infantil como na adolescência, acomete ambos os sexos, e, com isso, os pediatras e nutricionistas sugerem a atividade física como alternativa para melhora de peso, medidas e exames alterados, na maioria das vezes. Porém, a cada dia que passa, a violência aumenta e assusta muito, fazendo com que os hábitos saudáveis antigos de brincar na rua, fiquem cada vez menos frequentes. O que aumenta mais ainda o uso do celular como “passatempo”, o uso de transportes para se deslocar em distâncias pequenas, aumentando o índice do sedentarismo e acúmulo de gordura abdominal, trazendo maiores riscos de doenças cardiovasculares.

Deve-se de uma vez por todas abandonar a ideia que ainda persiste entre alguns pais e avós de que a criança rechonchuda  é sinal de saúde.  Uma criança obesa pode se tornar um adolescente obeso.

Cuidado com o peso na  adolescência:

A adolescência é uma fase de transição associada à mudanças, tanto físicas como mentais. No caso dos jovens obesos, observamos uma tendência maior ao aparecimento de problemas emocionais como depressão, afastamento dos colegas, causando isolamento, o que pode acarretar até na piora do desempenho escolar. Futuramente, já como adulto, pode influenciar na dificuldade no ambiente de trabalho e alteração na função cardiorrespiratória.

Acontece em alguns casos de obesidade, um descontrole hormonal, que se torna a causa principal do aumento de peso ainda maior. O primeiro em destaque são os hormônios da tireoide (T3 e T4), que quando se encontram baixos, chamado de hipotireoidismo, atrapalha na perda de peso; o segundo hormônio é a insulina, que é responsável pelo transporte de glicose para células e o cortisol, como terceiro e muito importante, que é conhecido como “hormônio do estresse”, que quando está alto, dificulta a quebra de gordura estocada no corpo (lipogênese). Além desses, existem também: grelina e leptina, onde uma tem ação contrária a outra. A leptina é um hormônio anorexígeno, ou seja, reduz o apetite. Só que os obesos, por mais que produzam quantidade alta desse hormônio, criam uma certa resistência a ele mesmo. Já a grelina, produzida no estômago, aumenta a sua vontade de comer.

Os pais devem controlar o uso dos eletrônicos e estimular programas ao ar livre, além de oferecer aos filhos alimentos saudáveis. Com essas atitudes estarão ajudando a evitar a obesidade.

Brenda Jacomo – Nutricionista da Clínica Leve Saúde